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Pacientes agonizam por causa da crise sem fim nos hospitais Getúlio Vargas e Justino Luz

Eles são os dois únicos hospitais do estado sob a responsabilidade da FEPSERH, mas sempre estão com problemas de falta de recursos, apesar do gordo orçamento da Fundação

13/11/2021 06h56 Atualizada há 3 semanas
Por: Redação Fonte: Piauíhoje
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O hospital Getúlio Vargas - HGV, em Teresina, e o Hospital Regional Justino Luz - HRJL, em Picos, vivem uma crise longa, sem precedentes e, pelo visto, sem solução. Nestes hospitais, os dois únicos mantidos pela Fundação Estatal Piauiense de Serviços Hospitalares - FEPSERH, sempre falta quase tudo, de papel higiênico, passando por materiais cirúrgicos básicos a medicamentos comuns, como dipirona. O resultado disso é um grande sofrimento dos pacientes e seus familiares, geralmente gente pobre.

O Getúlio Vargas é o maior e mais tradicional hospital público do Piauí. Ainda é referência em tratamento dos mais variados tipos de doenças, mas nos últimos anos vem se transformando num “elefante branco” e em um grande problema de gestão para o governo do estado. A situação não é muito diferente no Justino Luz, que enfrenta queixas até de atraso de salários de empregados precários.

De acordo com quadro de despesas consolidadas obtidos junto à Secretaria Estadual de Saúde do Piauí – Sesapi, somente nos primeiros sete meses deste ano, o HGV gastou R$ 73,4 milhões e o Justino Luz mais de R$ 22 milhões. Ressalte-se que mais de 60% desses recursos são para pagar pessoal, a maioria com contratos precários. Talvez por isso falte recursos para compra de insumos.

Outro dado da Sesapi chama atenção: apenas os dois hospitais mantidos pela FEPSERH (HGV E HRJL) consomem 20% do total dos recursos que são repassado para todos os 33 hospitais mantidos diretamente pela Secretaria Estadual de Saúde.

Neste ano, todas as vezes que as queixas da falta de insumos chegam às direções dos dois hospitais e da FEPSERH, os problemas da pandemia da Covid-19 são apresentados como justificativas. As notas enviadas à imprensa quase sempre falam da falta de materiais até no mercado internacional. São respostas do tipo: está faltando porque não tem onde comprar.

Porém, as constantes solicitações de aditivos de contratos e de recursos extras pela direção da FEPSERH, às secretarias da Saúde e da Fazenda, além de relatos de funcionários e de pacientes, comprovam as dificuldades por que passam o HGV e o Justino Luz por uma questão de gestão. “Esses dois hospitais só vivem sem dinheiro, são um poço sem fundo”, diz uma fonte da Sesapi.

O HGV tem passado por reformas e melhorias constantemente. Há 11 anos, em maio de 2010, foi inaugurada a maior reforma que o hospital já passou por desde a sua fundação, em 3 de maio de 1941. Foram gastos mais R$ 46 milhões em obras, equipamentos e capacitação de pessoal do maior hospital público do Piauí. Os recursos vieram do governo federal e estadual.

Mas, atualmente, a situação no HGV é tão grave que é até passível de intervenção. Lá, pacientes relatam, por exemplo, falta medicamentos e até material para cirurgias simples. Há informações de que pacientes do HGV foram mandados pra casa sem as cirurgias e apenas com tratamento paliativo porque os médicos não podem fazer os procedimentos por falta de materiais básicos, como fio para suturas e analgésicos.

É o caso da dona de casa Vera Lúcia Brandão Sales, de 58 anos. Desde o dia 20 de setembro ela espera por uma cirurgia para retirada de uma pedra alojada na uretra. Inicialmente ela foi internada no Hospital de Urgência de Teresina - HUT. Lá foi decido que ela precisava ser operada. A indicação era que ela fosse transferida para o HGV. Mas não foi o que aconteceu.

Oito dias após a internação no HUT ela recebeu alta e voltou para casa. A família foi informada que não havia vaga e nem material para a cirurgia. No 10 de outubro ela recebeu uma ligação para ir para o HGV, onde foi internada. Fez exames dia 11 de outubro, uma segunda-feira. Mas na quarta-feira seguinte, dia 13, foi mandada para casa com um cateter na uretra por falta de material cirúrgico.

Vera Lúcia peregrina há dois meses pelos hospitais de Teresina em busca de uma cirurgia considerada simples

Na alta foi dito a ele que teria de voltar em 30 dias ao HGV para retirada do cateter. Ou seja, a cirurgia não foi realizada. Na mesma enfermaria em que Vera Brandão estava internada as histórias eram as mesmas. O sofrimento é grande e desumano. Os pobres são tratados sem dignidade.

Até hoje a dona de casa Vera Lúcia não foi chamada para fazer a cirurgia no HGV, como foi garantido a ela dia da alta, há um mês. Depois de uma verdadeira peregrinação da família, na quinta-feira passada, 11 de novembro, finalmente a dona Vera Lúcia livrou-se da incômoda sonda, que foi retirada no Hospital Alarico Pacheco, em Timon (MA). 

A crise nos hospitais mantidos pela FEPSERH vem desde 2019, quando a instituição se encheu de dívidas e até teve de mudar de clínica e laboratório de exames porque a empresa contratada, na época, resolveu não mais atender as demandas do HGV por falta de pagamentos e das dívidas acumuladas. O mais curioso disso tudo é a falta de ação mais enérgica do secretário estadual de Saúde, Florentino Neto, para sanar o problema definitivamente.

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